A Gaiola, de Adriana Falcão


Faz tempo que eu quero escrever sobre A Gaiola, de Adriana Falcão.


Se não o fiz, foi por me faltar jeito, faltar tempo. Mesmo sem um nem outro, decidi deixar nesta tela em branco minhas impressões.

A Gaiola é a história de um Passarinho.


É também a história de uma Menina.


Esses seres tão diferentes se assemelhavam em apenas um detalhe: ambos existiam para serem amados. Assim como eu, você. Por isso, tudo o que faziam era "para despertar amores.”

Um dia, a Menina olhava para a noite, de sua varanda. (Porque na história de (quase) todo amor houve uma varanda.) E de lá, escutou um "zuuuuummm, pof" e viu cair do Céu um passarinho".


A Menina deu àquela criatura tristinha, amedrontada o amor que tinha e o Passarinho, feliz por ser amado, apaixonou-se por Ela. Estando apaixonados, fica difícil pensar em cada um isoladamente. Por isso, a ilustradora, Simone Matias, não os separa mais.Vejam a riqueza da ilustração:



Depois de curado, a Menina leva o Passarinho à varanda e pede para ele voar.


O Passarinho, apaixonado, recusa o voo e pede para a Menina prendê-lo em uma Gaiola. Nega, portanto, a sua existência, para viver um amor. (E quem nunca se negou por amar?)Na Gaiola, a Menina seria dele. Na Gaiola, Ele seria dela. " Tudo estava seguro, o amor estava bem preso".


"Um belo dia a Menina viu o Passarinho olhando pro belo dia". Ela, triste, achou que o Passarinho preferia o belo dia a ela. Ciúme, insegurança? Quem daqui nunca? " Nada muda a dor profunda que a Menina sentiu nessa hora".

O tempo continuou passando... E o Passarinho fingia que não existia o lá fora, mas a Menina sabia que o lá fora nunca fora esquecido para o Passarinho. Olha a carinha de tristeza!E como estão distantes, estando tão perto...


Depois de tanto amor e sofrimento, a única solução era se separarem. Quanta dor nessa decisão... Ela disse "Vai", ele disse "Vou". Ambos tinham o lá fora para viver. Livres, sem gaiolas, prontos para novas possibilidades.

Quando li, pela primeira vez, esse livro para minha filha, ela só tinha 3 anos. Luíza amou a história. Passei um bom tempo lendo-a para ela. Quem é mãe sabe que quando a criança gosta de algo, ela pede sempre a mesma história. A cada leitura, eu pensava: como pode uma obra dialogar com idades tão diferentes?Uma criança de 3, uma adulta de 33? Há livros que têm esse poder!

A Gaiola, obra rotulada de literatura infanto-juvenil, consegue fundir o “mundo” dos adultos no “mundo” das crianças. Sabe por quê? Porque a experiência de sentir não tem idade. Adultos e crianças sentem.É este o papel da Literatura: revelar a humanidade do homem. Quer assuntos mais humanos que amor, paixão, medo, ciúme, resignação, tristeza?

Quando vejo um belo texto literário dialogando com uma criança, automaticamente, tenho vontade de premiar esse escritor por ele não ter deixado morrer a infância, que já foi de todos um dia. É essa a chave para uma comunicação efetiva com as crianças. E isso Adriana Falcão tem de sobra.

Até mais! Fica a dica!


#AGaiola #AdrianaFalcão

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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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