O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna


Olá, pessoal,

Neste trimestre, trabalhei com meus alunos a obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna (Editora Nova Fronteira). Os frutos desse trabalho foram tão bons que decidi compartilhar para os professores a sequência desta obra.

O experimento que o autor faz com linguagem das personagens escancara uma performance oral incrível ocasionada pelos dialetos. Percebi isso quando selecionava algumas partes do texto para ler em voz alta com os meus alunos. Eles gostaram da experiência de ler em voz alta, pois sentiram a força desse dialeto delicioso do Nordeste.

João Grilo Cantando fora

Lampião, grande cangaceiro, / pensava que nunca morreria: morreu à boca da noite, / Maria Bonita ao romper do dia.”

SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005, p. 63.

Trabalhar o Auto é trabalhar com as tradições que fizeram parte de seu processo de criação. A obra passeia pelas tradições do teatro clássico, popular e medieval. Fiz questão de retomar alguns repertórios da tradição do teatro clássico com meus alunos por meio das figuras de Pierrot e Arlequim, que se projetaram na construção dos personagens Chicó e João Grilo.

Além disso, fizemos uma análise do quanto a tradição medieval exerceu a sua força sobre a filosofia de vida das personagens por meio da propagação da fé cristã.

“JOÃO GRILO É já. Começa a tocar na gaita e Chicó começa a se mover no ritmo da música, primeiro uma mão, depois as duas, os braços, até que se levanta como se estivesse com dança de São Guido.

SEVERINO Nossa Senhora! Só tendo sido abençoada por Meu Padrinho Padre Cícero. Você não está sentindo nada? p. 105.

Aproveitamos o projeto gráfico da obra, realizado pelo ilustrador Romero de Andrade Lima, para ampliar a nossa análise sobre a força dessa tradição medieval.


Na própria capa, a ilustração já antecipa ao leitor informações pertinentes para a análise da obra. Percebam que a Compadecida fica em posição estratégica, no centro e no alto, representando o poder e soberania sobre os personagens. Além disso, o formato das mãos dela sugere a clemência por esses personagens e, também, o amparo que sustenta a tenda do circo. As imagens de Chicó e de João Grilo aparecem segurando os “bastões” que alicerçam toda a estrutura.

Verificamos, também, que a tradição popular foi representada pelo circo, pois a peça teve a intenção de oferecer um formato simples, mais voltado para uma apresentação dentro de um picadeiro. A figura do palhaço, apresentador da obra, vai nos indicar isso.


Ilustração da página 14.

A obra foi fortemente influenciada pela Literatura de Cordel em todos os seus episódios, evidenciando ainda mais o seu caráter popular. Para saborear a análise, clique aqui.

Um forte abraço,

Até mais!


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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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