Deu no jornal


Olá, gente!

Este ano, meus alunos leram o livro Deu no Jornal, de Moacyr Scliar.



A obra, publicada pela Editora Edelbra, traz treze narrativas envolventes( alguns contos e outras crônicas), nascidas a partir de notícias, publicadas pela Folha de São Paulo.

Veja, no vídeo abaixo, Moacyr Scliar comentando como se deu o processo de criação dessa obra.


Quando comecei a trabalhar com os meus alunos esse livro, tinha como um dos interesses levá-los a perceber a crônica como um gênero híbrido que, de modo aparentemente simples, relata fatos contemporâneos, levando o leitor a uma reflexão da realidade que o cerca. Entretanto, à medida que meus alunos e eu fomos lendo, em classe, cada narrativa, fomos percebendo que as notícias que chegam até nós pelos noticiários de Tv ou pelo jornal possibilitam uma história, que nos pede para ser narrada.

Moacyr Scliar atende a esse pedido e nos dá de presente treze interessantes narrativas, todas criadas a partir de notícias e reportagens, retiradas do jornal, observe:

01. Os óculos mágicos

02. A volta do filho pródigo

03. A família que rastreia unida permanece unida

04. A guerra dos narizes

05. A ópera dos camundongos

06. Uma carta ao pai

07. Casa de boneca

08. Heavy Metal

09. Os invisíveis

10. No asilo dos anos velhos

11. Namoro & Futebol

12. Puxadinhos

13. Guerra é guerra

Registrando o circunstancial, acrescentando, aqui e ali, fortes doses de humor, sensibilidade, ironia e muita crítica, Scliar, com graça e leveza, proporciona a nós, leitores, uma visão mais abrangente, que vai além do fato. Ele nos mostra, de outros ângulos, o sinal de vida que, diariamente, deixamos escapar da leitura rápida de uma notícia de jornal ou da escuta de um fato dado em um noticiário.

Deu no jornal chega até nós em um belo projeto gráfico: capa dura, diagramado em colunas, como se fosse uma página de jornal, além de uma ilustração que ajudou a dar ainda mais beleza para algo que já estava perfeito.

Clique aqui e acesse a sequência didática.

A minha narrativa preferida é " Uma carta ao pai", que surge a partir da seguinte notícia:


São Paulo, terça-feira, 14 de setembro de 2004.

"Batman" invade Palácio de Buckingham

DA REDAÇÃO Um homem fantasiado de Batman conseguiu ontem driblar a segurança do Palácio de Buckingham, residência da família real britânica em Londres, e pendurar uma faixa em uma de suas sacadas frontais, em protesto contra restrições judiciais ao direito de pais divorciados de verem seus filhos.

Militante do grupo Pais pela Justiça, o pintor Jason Hatch, 33, passou cinco horas e meia na sacada, a dez metros de altura, mostrando os músculos, acenando e dando socos no ar, até ser retirado de lá e detido por policiais. Posta perto da sacada em que a família real aparece em solenidades, a faixa dizia: "Superpais do Pais pela Justiça lutando pelo seu direito de ver seus filhos".

Para atrair os guardas, um grupo de militantes fez uma "operação distração" em frente ao palácio, enquanto Hatch escalava o edifício. Um deles, vestido de Robin, chegou a ser preso. Segundo um porta-voz de Buckingham, nenhum membro da família estava no palácio ontem. A rainha Elizabeth 2ª está em férias no castelo de Balmoral, na Escócia.

"Se um punhado de pais de família é capaz de fazer isso, será como um simples passeio para os terroristas", ironizou John Ison, um dos manifestantes. O comissário de polícia, John Stevens, classificou o episódio de "embaraçoso" e afirmou ter pedido um "relatório completo" sobre o ocorrido.

Desse texto jornalístico, surgiu " Uma carta ao pai", que é a história de um filho que, logo no início, confessa o seu ódio pelo pai. Entretanto, a história caminha para um fim emocionante.

Acompanhe-a.

"Querido pai: antes de mais nada, uma confissão. Durante muitos anos, papai, eu odiei você. Para ser mais preciso, desde a época em que você se divorciou da mamãe. Muitas pessoas se divorciam, e alguma briga sempre resulta disso, mas o caso de vocês foi horroroso. Não é opinião só minha; os amigos de vocês, os parentes diziam que nunca tinham visto uma separação com tanto ódio. Mas saiu o divórcio, de qualquer maneira, e depois disso você sumiu. Você simplesmente sumiu. Claro, de vez em quando você vinha me buscar, levava-me ao cinema, ou ao parque, ou a um restaurante. Não eram encontros muito agradáveis, aqueles. Porque você não falava. Eu tentava puxar conversa, perguntava o que você andava fazendo. Você respondia que tinha uma atividade sigilosa, que não podia comentar. Mamãe tinha, claro, outra explicação acerca de sua conduta. Seu pai nunca prestou, era o que ela dizia, amargurada: - Nunca quis saber de trabalhar, nunca teve um emprego decente. Eu é que tive de sustentar a família. De vez em quando ele desaparecia por dias seguidos, por semanas. Ia viver as aventuras dele, o cretino. E a burra aqui dando duro. Que mamãe era convincente, prova-o a decisão do juiz, proibindo você de me ver. Se fiquei chateado? Fiquei, mas não muito. De qualquer jeito, já não nos víamos há tempos. Estava disposto a esquecer você, mesmo porque o novo marido de mamãe me tratava muito bem. Como ele mesmo dizia, queria ser um pai para mim, o pai que, na prática, eu não tivera. E aí a surpresa: abri o jornal e lá estava sua foto, na sacada do Palácio de Buckingham. Naquele momento descobri o seu segredo: papai, você é o Batman! Era por isso que você levava uma vida misteriosa, era por isso que você sumia: porque você tinha, em segredo, de enfrentar o crime. Papai, você é um herói. Não: você é um super-herói.

Não preciso lhe dizer que estou superorgulhoso de você. E já resolvi uma coisa: se você é o Batman, eu serei o seu Robin. Juntos, combateremos os bandidos, os criminosos. Mamãe que reclame quanto quiser. Batman e Robin estarão juntos para sempre.

Se você é professor, após trabalhar bem a obra, proponha à classe criar narrativas a partir de notícias e reportagens, como sugestão, deixo uma proposta. Além disso, incentive seu aluno a criar, desde cedo, sinopses da obra lida, seguidas de comentários. Isso é um belo exercício de desenvolvimento da competência escritora.

Proposta de produção de texto

1. Produção de conto ou crônica

Segundo Moacyr Scliar, algumas notícias que chegam até nós pelos noticiários de Tv ou pelo jornal possibilitam uma história, que nos pede para ser narrada. Aliás, foi essa ideia que motivou o autor a criar a coletânea de contos e crônicas intitulada Deu no jornal. Como exemplo, retome o conto “Carta ao pai”, que surgiu a partir da notícia “ Batman invade Palácio de Buckingham”.

Sua tarefa é criar uma narrativa(conto ou crônica) a partir da notícia a seguir. Pense nas possibilidades que essa notícia permite: sobre qual ponto de vista você contaria a história? Do cachorro, das crianças? Ou outro? O que aconteceria? solte sua imaginação.

Bom trabalho!

Morte de cão que latia atrás de carro da PM gera revolta em favela de SP


FELIPE SOUZA DA BBC BRASIL

17/06/2016 09h20

Bob tinha 4 anos, vivia cercado de crianças e era um dos mascotes da favela de Heliópolis, a maior de São Paulo. O cachorro não tinha casa nem dono, mas ganhava banho, comida, água e até roupas dos moradores.

Na noite do último sábado (11), Bob brincava perto de duas crianças, de 4 e 7 anos, por volta das 20h, quando correu atrás de um carro da polícia enquanto latia. De acordo com testemunhas do caso ouvidas pela BBC Brasil que pediram para não ser identificadas, um policial se irritou com a situação, sacou uma arma e fez um disparo fatal na cabeça do cão.

"A mesma viatura já tinha passado umas três vezes pelo local. Na quarta, um dos policiais sacou a arma de dentro da viatura e deu um tiró só na cabeça dele [Bob]. Foi muita maldade", disse uma das testemunhas.

O caso revoltou os moradores da favela e ganhou repercussão nas redes sociais. A foto do cão morto, ao lado de um projétil de arma de fogo, se espalhou. Apenas uma das publicações feitas no Facebook teve mais de 800 compartilhamentos. "É inacreditável o descontrole de quem mais deveria ter controle! Os ferozes dentes trazem perigo para a guarnição inteira?", comentou um internauta.

"Bob irá deixar muita saudade. Acredito que todos que o conheceram tem uma história para contar", afirmou uma mulher em outra publicação.

A Polícia Militar informou que, na noite de sábado, fez patrulhas em áreas próximas a bailes que ocorriam em Heliópolis para "prevenir crimes e garantir o sossego da população". O órgão, porém, disse que "não há registro de animais feridos."

Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/06/1782686-morte-de-cao-que-latia-atras-de-carro-da-pm-gera-revolta-em-favela-de-sp.shtml

2. Sinopse

Escolha uma das narrativa de Deu no jornal, depois, escreva um resumo sobre ela que seja capaz de motivar o leitor a ter vontade de ler o livro de Moacyr Scliar. Não se esqueça de acrescentar suas impressões pessoais( comentários) a respeito da obra como um todo. Apoveite e deixe sua sinopse nos comentários, você, com seu texto, poderá motivar muitas pessoas a conhecer a obra de Moacyr Scliar.

Bom trabalho!

Fico por aqui!

Um beijo!

Regiane Magalhães Boainain


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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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