Despedida



Despedida

Vais ficando longe de mim

como o sono, nas alvoradas;

mas há estrelas sobressaltadas

resplandecendo até o fim.

Bebo essas luzes com tristeza,

porque sinto bem que elas são

o último vinho e o último pão

de uma definitiva mesa.

E olho para a fuga do mar,

e para a ascensão das montanhas,

e vejo como te acompanhas,

- para me desacompanhar.

As luzes do amanhecimento

acharão toda a terra igual.

- Tudo foi sobrenatural,

sem peso de contentamento,

sem noções do mal e do bem,

- jogo de pura geometria,

que eu pensei que se jogaria,

mas não se joga com ninguém.


MEIRELES, Cecília. In: Viagem. São Paulo: Global, 2012.

#CecíliaMeireles #Despedida

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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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