A elefantinha que queria dormir


Oi!!!

Quem acompanha o blog viu que postei, em novembro de 2015, uma resenha sobre o Livro O Coelhinho que queria dormir, do terapeuta sueco Carl-Johan. A obra, sucesso de vendas nos EUA e Inglaterra, foi lançada no Brasil pela Companhia das Letrinhas e por aqui o sucesso não foi menor.

Também não é para menos, o livro promete, já na capa, "uma nova maneira de fazer as crianças dormirem". Que pais, neste mundo, não querem que seus filhos peguem no sono em menos tempo, sem trabalho?

Agora, dá para entender o sucesso de vendas do tal coelhinho. Dá para entender também o motivo de o autor lançar, um ano depois, A Elefantinha que queria dormir.


Como essas histórias foram construídas?

Essas histórias foram escritas a partir de técnicas de relaxamento e funcionam, segundo o terapeuta, como um modo encantador de indução ao sono, um "embalar" a criança até que ela durma.

Mas olha o detalhe: "Para melhores resultados, recomenda-se ler depois de a criança gastar toda a sua energia e quando ela estiver deitada em sua caminha, de preferência sem olhar as imagens( que, aliás, são fofas demais. Como não olhar para a ilustração de Silvana Rando, a ilustradora do premiado Gildo, da editora Brinque-Book?)Para o terapeuta, "a forma como o conto vai ser narrado também é importante". Piada, gente! Faltou dizer que se seu filho não dormir, você que não foi suficientemente competente para fazer a leitura de forma efetiva, como manda o terapeuta. E que ser humano não pega no sono depois de gastar toda sua energia?

Por que estes livros não me convencem?

Para mim, eles são mais uma forma de medicamentar uma fase natural do ser humano: toda criança quer brincar em vez de dormir.

Em 44 cartas do Mundo líquido moderno, no capítulo "Remédios e doenças", Zygmunt Bauman menciona que "para todo desconforto causados pelos problemas e atribulações normais da vida cotidiana, existe( deve haver, haverá) um remédio comprável na farmácia mais próxima". Parece agora que já há um remedinho na estante da livraria. Na verdade, DOIS: a versão para menino e para menina.

Por favor, gente, não façam isso com os filhos de vocês. A hora da leitura é mais do que um momento que antecede a hora de dormir, é a hora do aconchego, da ternura, a hora em que minhas filhas se identificam com algumas personagens e situações, recusam a se assemelhar com outras, aprendem, superam seus medos. A Literatura, ao colocar personagens, seres de papel, vivendo na frente do leitor, consequentemente, leva-o a viver aquele mundo que se conta na história daquela noite. Ou leva-o a sair daquela experiência mais forte, mais maduro para lidar com o possível.

Na vida de todo adulto de hoje, houve uma criança que, naturalmente, não queria dormir, pois é da natureza das crianças preferir brincar. Sendo assim por que dopar as crianças de hoje com livros-remédio que em nada as ajuda a crescer emocional e criativamente?

Leia para uma criança, construa um ritual de leitura- sono-sonhos! Mas com Literatura de qualidade.

Daqui a pouco faltarão espaços nas estantes das livrarias com tanta literatura-remédio. Que você livre seus filhos disso.

Até a próxima!!!

Pense nisso!

Regiane


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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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