Textos-base ( Deu no Jornal)

 Deu no jornal é a reunião de contos, escritos a partir notícias, publicadas pela Folha de SP. Veja:

 

Texto 1  

Nariz eletrônico monitora o mau cheiro dos lixões

Postado Por Luiz Eduardo Nercolini em 11 01 2006

Os cientistas da Universidade de Manchesterdesenvolveram um nariz eletrônico. Ele é capaz de detectar o mau cheiro e também a quantidade de gás metano existente no depósito de lixo. Segundo os criadores, pode ser uma solução tanto para donos de empresas que mexem com lixo, com também para pessoas que moram perto destes locais.

O “nariz” capta uma amostra do ar, analisa e manda os dados para um computador remoto que faz a interpretação dos resultados. Ele funciona em tempo real e a amostra usada para o teste é filtrada antes de ser novamente lançada ao ambiente.

Fonte: FolhaOnline

 

Texto 2

 

"Batman" invade Palácio de Buckingham

DAREDAÇÃO 


14 de setembro de 2004.


Um homem fantasiado de Batman conseguiu ontem driblar a segurança do Palácio de Buckingham, residência da família real britânica em Londres, e pendurar uma faixa em uma de suas sacadas frontais, em protesto contra restrições judiciais ao direito de pais divorciados de verem seus filhos.

Militante do grupo Pais pela Justiça, o pintor Jason Hatch, 33, passou cinco horas e meia na sacada, a dez metros de altura, mostrando os músculos, acenando e dando socos no ar, até ser retirado de lá e detido por policiais. Posta perto da sacada em que a família real aparece em solenidades, a faixa dizia: "Superpais do Pais pela Justiça lutando pelo seu direito de ver seus filhos".

Para atrair os guardas, um grupo de militantes fez uma "operação distração" em frente ao palácio, enquanto Hatch escalava o edifício. Um deles, vestido de Robin, chegou a ser preso.
Segundo um porta-voz de Buckingham, nenhum membro da família estava no palácio ontem. A rainha Elizabeth 2ª está em férias no castelo de Balmoral, na Escócia.

"Se um punhado de pais de família é capaz de fazer isso, será como um simples passeio para os terroristas", ironizou John Ison, um dos manifestantes. O comissário de polícia, John Stevens, classificou o episódio de "embaraçoso" e afirmou ter pedido um "relatório completo" sobre o ocorrido.

 

 

Texto 3

                       

 

"Casa de boneca" abriga moradores de rua

AMARÍLIS LAGE

DA REPORTAGEM LOCAL

 
02 de agosto de 2005

 

Ao lado do shopping Tatuapé, na zona leste de São Paulo, duas pequenas casas azuis chamam a atenção. Com pouco mais de um metro e meio de altura, feitas de madeira, podem ser confundidas com uma casa de bonecas ou com uma casa para cães. O local, porém, abriga três crianças de rua.


As "casinhas solidárias", como são chamadas, foram instaladas anteontem pela Associação Casa da Criança Nossa Senhora Aparecida. Outras três estão prontas e mais duas, em fase final.


A presidente da associação, Lusia Lopes da Silva, 49, quer colocar abrigos nas praças da Sé e da República. A cidade tem cerca de 10 mil moradores de rua. O secretário municipal de Assistência, Floriano Pesaro, afirma que não permitirá a instalação das casas.
A ideia surgiu quando Mudão, um dos 70 moradores de rua atendidos pela associação, adoeceu. Foi sugerido que ele se instalasse na casinha de bonecas da creche que a entidade mantém. "Digno seria oferecer uma casa de verdade, mas não temos condições financeiras", diz Lusia.


Uma nova casinha foi feita, com ripas de madeira doadas por um supermercado. Dentro dela só cabe um colchonete e um cobertor. A princípio, Mudão se recusou a entrar. "Ele tem problemas mentais e só falava "au au", para dizer que ali era o lugar do cachorro", diz Lusia. Depois, aceitou.


Apesar de precário, mais moradores reivindicam o equipamento. "Para albergue eu não vou. Lá é que nem cadeia, uma reserva de "maloqueiros'", diz Nailton dos Santos, 38. "A casinha é boa, dá para guardar as nossas coisas."
Os meninos instalados nas duas casas ao lado do shopping querem colocar um cadeado no local, onde guardam colchonete, cobertor e a roupa do corpo. "Se ganhar outra roupa não quero que roubem", diz I., que tem 12 anos e, embora saiba onde os pais moram, não quer vê-los. L., 13, não tem essa opção: a mãe morreu e o pai está preso -está na rua há 12 dias. O terceiro morador, G., 13, pede esmola nos dias úteis e vai para casa aos fins de semana.


Polêmica


A proposta é polêmica e divide especialistas ouvidos pela Folha.
"Não dá para encarar uma coisa dessas, por mais bem-intencionada que ela seja. Mal comparando, é como ver alguém morrendo de fome e dar restos para ela comer", diz Silvia Maria Schor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP, que analisa o perfil dos usuários de albergue.


Já para Antonio Carlos Malheiros, presidente da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, a proposta faz sentido dentro de um contexto. "É evidente que é chocante ver pessoas morando em casinhas de cachorro. Mas mais chocante é termos tanta gente na rua. Se você pegar a casinha deslocada do contexto, pode falar que é indigno. Mas, no contexto de um Estado que não faz nada para os menos afortunados, é alguma coisa." 

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Mãe, professora, autora de materiais didáticos, doutoranda em Literatura e Crítica literária pela PUC-SP. 

Idealizadora do Veredas do Texto e criadora de conteúdo 

Regiane Boainain 

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